Asteriscos

Esse blog foi criado por nós, simples alunos do Colégio Marista de Brasília, para ser um trabalho, inicialmente, de Língua Portuguesa. Agora um moooonte de matérias já entraram no meio dele e virou uma grande bagunça a sua criação, misturada com as provas gigantérrimas que nós temos, sem falar naqueles trabalhos que outros professores nos puseram pra fazer .-. Mas agora, vamos ver no que é que dá, né? :P Componentes: Heitor Lôbo - nº 49; Juliana Falcão - nº 19; Mateus Velez - nº 32; Melina Cambraia - nº 35. 1º ano "G"



~ Monday, August 8 ~
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Anos Dourados

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Engraçado como, com a idade, a nostalgia aumenta. Estava sentado na varanda de casa, fumando meu cachimbo como de costume. Memórias me voltaram à minha cabeça.

Quando tinha meus doze, treze anos, decidi junto com um amigo, o Marcelo, fugir da escola para andar pelas ruas do Rio atrás de confusão.

Marcelo era o típico menino prodígio, um aluno brilhante, que só tirava notão, queridinho dos professores. Além disso era bom em todos os esportes. Loirinho de olho verde, era o menino mais namorador do colégio.

Nós dois saímos correndo da escola, para a Dona Margô, aquela velha gorda com uma verruga enorme, não nos alcançar. Saímos a toda velocidade de Ipanema até o Leblon, até que o Marcelo parou, atraído por um cartaz que dizia: “Madame Sophia, cartomante. Venha conhecer seu futuro.”

Fomos correndo ao endereço do cartaz. Chegando lá, uma senhora de cabelos brancos e encaracolados, cheia de penduricalhos e roupas coloridas abriu a porta.

A pequena sala cheirava a chocolate. Bom, ao que parecia, esse era seu grande vício. Barras e mais barras de chocolate dispostas sobre a mesa, com chocolate quente ao lado.

Ela nos ofereceu um pedaço de bolo de chocolate e cookies, também de chocolate, e pediu que nos sentássemos em volta da pequena mesa redonda. A sala escura começava a mostrar sua energia diferente.

Marcelo estendeu a mão para a sinistra senhorinha sentada à sua frente. O que se seguiu foi algo completamente anormal. Os olhos da velhinha se arregalaram e ela soltou um gemido alto e agudo, seguido por gritos horripilantes, como aqueles de filme de terror. Começou a balbuciar palavras como “o dia da sentença”, “amor e sangue”, “juízo final”. 

Nós nos assutamos muito e, em seguida, a porta foi ao chão com um estrondo ensurdecedor. Um homem alto, forte, com o corpo todo tatuado adentrou a sala. “Solte essas crianças, velha maluca! Sempre soube o que você fazi, essa é minha chance e não a deixarei escapar!”

Depois disso, não sei exatamente como, a salinha estava em chamas, o cheiro de chocolate queimado no ar. O homem estava em cima da velhinha que gritava, imobilizada. Eu e Marcelo nos olhamos e, sem dizer uma só palavra, saímos correndo rua afora.

Esbarramos numa moça com um bebê num carrinho, quase fomos atropelados. Um vendedor gritava maldizeres para nós dois quando um carro parou na nossa frente.

De dentro dele, saiu um homem muito alto, gordo e rosa. Ele suava e tinha dificuldades para respirar. “Oficial de polícia José Antônio Barseaul”, ele disse. Ao seu lado, um negro magricela estava parado e disse “Ex-oficial de polícia, certo Antônio?” O gordinho olhou o magrelo e por fim, baixou a cabeça.

“Posso saber o por quê de os dois estarem fazendo baderna nas ruas?”. Eu e Marcelo nos olhamos e, por fim, contamos a história aos dois. Levaram-nos para a delegacia e ligaram para nossos pais.

Sabe, eu nunca vou esquecer esse dia. Nunca entendi o que o homem que atacou a pobre vidente queria dizer e isso já não me interessa mais. Hoje, eu, um velho de 68 anos continuava parado na varanda, olhando a paisagem e lembrando os melhores anos da minha vida, a adolescência.

Melina - nº 35